Uma informação de qualidade precisa percorrer um caminho. Quando uma ocorrência aparece, ela deve ser registrada com contexto suficiente para ser…
Uma informação de qualidade precisa percorrer um caminho. Quando uma ocorrência aparece, ela deve ser registrada com contexto suficiente para ser analisada. Depois, a organização precisa identificar causa, frequência, gravidade e responsabilidade. Só então é possível decidir se aquele caso é isolado ou se revela um padrão. Quando a situação é relevante ou recorrente, ela precisa subir para a gestão e, quando necessário, para a diretoria. Isso não reduz transparência; aumenta sua qualidade. A liderança deixa de receber apenas um vídeo e passa a receber informação que permite decisão. Um gestor não precisa conhecer menos. Precisa conhecer melhor.
Muitas empresas confundem transparência com distribuição indiscriminada de mensagens. Uma organização verdadeiramente transparente não é aquela em que todos recebem tudo, mas aquela em que nenhuma informação relevante morre antes de chegar a quem pode agir. O montador pode comunicar a ocorrência a um canal técnico, a loja acompanha, a fábrica investiga, a gestão recebe aquilo que é recorrente e a diretoria recebe o que exige decisão estratégica. Depois, o aprendizado volta para a operação. Esse fluxo reduz ruído sem esconder realidade. As pessoas deixam de ser apenas espectadoras de problemas e passam a fazer parte de um sistema de solução.
É aí que aparece uma das funções mais importantes do gestor intermediário. Seu papel não é simplesmente encaminhar mensagens. É transformar acontecimento operacional em informação de decisão. Quando recebe um vídeo e apenas o repassa, não acrescenta inteligência. Quando busca contexto, verifica recorrência, identifica quem será responsável pelo tratamento e apresenta uma síntese à liderança, está exercendo gestão. Quanto mais alto o nível de direção, mais importante fica essa filtragem. Diretores precisam enxergar padrões, riscos, indicadores e tendências. Se passam o dia recebendo cada problema bruto da operação, tornam-se reféns do ruído e podem perder a visão do conjunto.
Leituras de referência: Peter F. Drucker, Philip Kotler, Robert Cialdini, Daniel Kahneman e Amos Tversky, Amy C. Edmondson. Os conceitos foram aplicados ao contexto de gestão, vendas, qualidade e liderança no mercado de móveis planejados.
